Por que comer dá sono?

Se a máxima comer dá sono faz parte da sua vida – e aumentou durante a quaretena -, saiba que você tem algo em comum com a maioria das pessoas e, nesse caso, com a maioria dos seres vivos. Especialistas do Instituto de Pesquisas Scripps, na Flórida, Estados Unidos, descobriram evidências de “sonolência pós-prandial”, também conhecida como “coma alimentar“, em insetos, cobras, vermes e ratos.

O que diz o estudo

Alguns estudiosos levantaram a hipótese de que os animais – incluindo os humanos – têm “sinais de vigilância” embutidos que os mantêm acordados e alertas quando estão com fome. Esses sinais os ajudam a localizar e adquirir alimentos. Mas, uma vez que um animal (ou um humano) come , esses sinais de vigilância se dissipam e são substituídos por sentimentos de fadiga.

Outros teorizam que alterações pós-refeição na circulação sanguínea poderiam explicar porque comer dá sono. O fluxo sanguíneo para o intestino delgado aumenta dramaticamente depois que uma pessoa come. Assim, enquanto o sangue é bombeado no intestino para alimentar a digestão, uma queda correspondente no fluxo sanguíneo no cérebro pode desencadear sentimentos de cansaço.

Pesquisas anteriores sobre essa hipótese concluíram que o fluxo sanguíneo para o cérebro não muda depois que uma pessoa faz uma refeição. Contudo, trabalhos recentes da Universidade Kyorin, no Japão, descobriram que, entre as pessoas que pularam o café da manhã, uma medida do fluxo sanguíneo cerebral despencou após o almoço. “Ignorar o café da manhã pode, portanto, sobrecarregar o corpo após o almoço, causando maiores alterações no fluxo sanguíneo”, diz a análise. Isso pode levar à sonolência.

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Enquanto os cientistas ainda estão descobrindo exatamente porque comer dá sono, eles começaram a entender alguns fatores que podem contribuir para a fadiga pós-refeição.

O que você come x sono

Comer uma grande refeição pode ser um gatilho. O mesmo acontece com as refeições carregadas de sal ou proteína. Por que? O instituto americano diz que uma ideia de longa data é que dormir de alguma forma ajuda na digestão. Um dos estudos descobriu que o sono muda a maneira como os insetos absorvem certos macronutrientes, incluindo proteínas. Com isso, apoiaria a ideia de que a sonolência pós-refeição afeta a absorção de nutrientes no intestino.

Um estudo de 2018 do Departamento de Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), com motoristas de caminhão descobriu que aqueles que ingeriam dietas ricas em vegetais e gorduras de alimentos como azeite e laticínios tendem a experimentar menos sonolência após as refeições do que aqueles que consumiam dietas pesadas em carnes processadas, fast food e refrigerantes. “Os resultados sugeriram que uma alimentação saudável produz baixa sonolência durante o dia”, diz Claudia Moreno, uma das autoras da pesquisa e membro do corpo docente da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Seu estudo aponta para uma pesquisa mais antiga que sugere que a ingestão pesada de gorduras ou carboidratos pode provocar sonolência.

Já uma análise de 2018 comandada pelo Centro para Pesquisa de Atividade Física, em Copenhague, Dinamarca, descobriu que uma refeição com alto teor de gordura e carboidratos levava à sonolência. Ela também gera um aumento em alguns marcadores inflamatórios, especialmente entre adultos obesos. Mas, ainda há muita incerteza e contradição quando se trata de alimentos específicos e seus efeitos na fadiga pós-refeição. 

Entretanto, quem deseja evitar um coma alimentar, o melhor conselho é comer refeições menores. Essa tática pode ser especialmente eficaz na hora do almoço. Mudanças previsíveis nos ritmos circadianos do corpo tendem a fazer com que as pessoas se sintam sonolentas durante a tarde. Portanto, se você é do tipo que come grandes porções, pode ter um golpe duplo.

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